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sábado, 26 de novembro de 2016

A RNA debateu hoje a fixação dos preços nas concessões de terra e a Lei da Terra Angolana


O conflito de terras é permanente em Angola, porque o Estado não cumpre com a Constituição e com a Lei da Terra, não indemnizando os titulares dos terrenos registados na Conservatória do Registo Predial e que são expropriados por utilidade pública, conforme o nº3 do artigo 37º da Constituição de Angola.

A Constituição de Angola no seu artigo 37.º, nº1 ,diz que, « A todos é garantido o direito à propriedade privada e à sua transmissão, nos termos da Constituição e da lei», e o nº 2, «O Estado respeita e protege a propriedade e demais direitos reais das pessoas singulares, colectivas e das comunidades locais…».

Assim, salvo melhor opinião, o princípio da propriedade originária do Estado dos terrenos, que é um princípio comunista, confronta-se com os direitos fundamentais dos cidadãos angolanos e em particular o direito privado as terras. 

A Lei nº 43/76, de 19 de Junho, no seu artigo 1.º, nº1 em que determina a reversão em benefício do Estado, sem direito a qualquer indemnização, de todos os prédios de habitação, ou partes destes, pertencentes a cidadãos, nacionais ou estrangeiros, que, sem qualquer justificação, se tenham ausentado do país por mais de quarenta e cinco dias ( também a Lei 3/76, de 3 de Março, na alínea g) do artigo 4.º ) e ainda o n.º2 que determina a reversão a favor do Estado de todos os prédios dos cidadãos que tivessem colaborado com organizações anti-nacionais, por exemplo a UPA-FNLA e UNITA, leis estas inconstitucionais face a Constituição Angolana de 2010.

Atendendo que a reversão implica a aquisição, por parte do Estado, do direito de propriedade, está sujeita a registo, pelo que só produz efeitos contra terceiros depois da data do respectivo registo, conforme o Código do Registo Predial Angolano.

Desta forma, qualquer cidadão angolano e estrangeiro, que seja ainda titular de terreno urbano registado na Conservatória do Registo Predial, e seus sucessores podem solicitar uma certidão comprovativa e «perseguir a coisa», nem que seja pela via judicial.

São milhões de casos de conflito de terras em Angola e a responsabilidade dos mesmos existirem é do Executivo Angolano, que não aplica a Lei convenientemente e dos oportunistas, que partem casas dos cidadãos, expulsão camponeses das suas terras ilegalmente, sem qualquer compensação ou indemnização.


E o conflito de terras em angola é uma das causas que perturbam a paz social em Angola.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Em Benguela, famílias camponesas empurradas para as matas



“”(…)  É o mais recente episódio do velho conflito de terras entre as autoridades  e os camponeses.
Há mais de trinta anos, nas centenas de hectares em disputa, com a agricultura e a pecuária como actividades favoritas, os pequenos produtores acusam o governo de estar a usar a desminagem como pretexto para fins inconfessos.
Foi com este argumento que um grupo de militares se deslocou à Losseta, a escassos 10 quilómetros da sede do Cubal, não tendo sido bem sucedido na missão que visava desalojar os camponeses.
A rigidez dos homens do campo determinou um reforço, algumas horas depois, de efectivos das forças de segurança armadas, que terão ameaçado a população que ali reside.

O recurso às matas, onde se encontravam mais de cem camponeses até à hora em que expedíamos esta peça, foi incontornável. A partir do Cubal, a 140 quilómetros da cidade de Benguela, um cidadão que acompanhou o desenrolar dos acontecimentos falou à VOA sobre os momentos de tensão.
"O pretexto é que querem desminar á área; a área já não tem minas; fortemente armados até aos dentes, começaram a ameaçar (...) as pessoas passaram a noite nas matas. Eles vieram com o senhor Cassandi, que é o homem do MPLA," disse o nosso entrevistado.
Sob anonimato, este cidadão reforça que já ninguém acredita na existência de engenhos explosivos naquela localidade: A população está a reagir, porque nasceu ali, são terras dos avós e dos bisavôs, tem ali gado e fazem a agricultura. Eles perguntam para onde vão, onde vão encontrar uma área com espaço para o pasto".
O Governo de Benguela  projecta a instalação de um pólo industrial capaz de produzir para o comboio do CFB escoar, mas os camponeses estão preocupados com o seu futuro.
A VOA contactou no local, o administrador municipal do Cubal, Carlos Guardado, que prometeu reagir em próximas ocasiõe ao que chama de «rumores sem fundamentos».
Atenta a tudo, a Organização Humanitária Internacional comentou que o Governo deveria ter dialogado com a sociedade civil para se alcançar um acordo que não belisque a Lei Constitucional. “” – FONTE : VOA