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"New York Times"
mostra a realidade dos serviços de saúde de Angola, o país do mundo com um
índice mais elevado de óbitos entre crianças. E liga os números devastadores à
corrupção.
Tudo começa com uma mãe e uma avó que vêem morrer em frente aos seus olhos o
seu menino. É José. O hospital é impecável, pelo menos nas infra-estruturas e
limpeza. Mas, como em tantos outros que mais à frente descobrimos na reportagem
de dez minutos do "New York Times", faltam médicos e enfermeiros.
Há 60 mil crianças que morrem todos os dias no mundo. Mas em nenhum país
morrem mais crianças do que em Angola. "Ainda assim o governo decidiu
cortar os custos com a saúde em 30%", alerta o jornalista Nicholas Kristof
que, juntamente com Adam B. Ellick, assina o trabalho do jornal
norte-americano.
Os jornalistas do "New York Times" apontam a corrupção como o
factor que espoleta esta tragédia humanitária em Angola e mostram imagens das
festas do centro da capital Luanda em que Porsche e Jaguar são meio de
transporte habituais e o champanhe é rei nos balcões dos bares.
O jornal norte-americano descreve um país de muitas e profundas
desigualdades, em que o petróleo e os diamantes deviam ser mais do que
suficientes para evitar a morte de crianças.
Kristof diz que a maior parte dos casos de morte de menores eram possíveis
de prevenir e no texto introdutório da reportagem afirma que nunca mais poderá
fazer outro trabalho igual naquele país africano.
"Angola naturalmente não recebe bem os jornalistas. Demorei cinco anos
até conseguir um visto para entrar em Angola, e depois desta reportagem duvido
que mais alguma vez consiga entrar no país enquanto este regime estiver no
poder", avança o jornalista.
Kristof descreve que o que mais o impressionou foram os momentos que viveu
"na Angola fora das cidades" em que as pessoas não têm acesso a
médicos ou a dentistas.
"É especialmente devastador ver crianças a sofrer por não terem
tratamento médico e que não podem sequer ir à escola. Ou então conhecer uma mãe
que já perdeu dez filhos, e isso é especialmente enfurecedor quando estamos a
falar de um país tão rico", pode ler-se.
Nicholas Kristof pediu entrevistas ao Presidente angolano, José Eduardo dos
Santos, e à filha, Isabel dos Santos, mas ambos recusaram.
Este é já o segundo trabalho que o jornalista publica sobre Angola este ano.
“” – FONTE :
RR