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quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Angola tenta negociar kwanza em pagamentos ao exterior



“”(…)  A informação foi transmitida hoje pelo governador do BNA, José Pedro de Morais Júnior, ao discursar, em Luanda, na apresentação da 10.ª edição do estudo "Banca em Análise", desenvolvido pela consultora Deloitte.
"O BNA continua a buscar fontes adicionais de liquidez externa, nomeadamente através de acordos de intercâmbio de moeda, na base dos quais saldos de operações comerciais e até mesmo de operações financeiras, com os nossos parceiros, poderão ser pagos na nossa própria moeda", disse o governador.
Angola enfrenta uma crise económica e financeira devido à quebra da cotação do barril de crude no mercado internacional, que por sua vez levou à quebra para metade nas receitas com a exportação de petróleo e à consequente redução da entrada de divisas, necessárias para assegurar as importações de bens alimentares, matéria-prima e máquinas para a indústria.
Esta crise já provocou uma desvalorização de 37 por cento no kwanza, face ao dólar norte-americano, em apenas um ano.
Angola é o segundo maior produtor de petróleo da África subsaariana, produção que aumentou 12% no primeiro semestre de 2015, para pouco mais de 1,7 milhões de barris de crude por dia, segundo a concessionária estatal, Sonangol.
"O mais importante é reconhecermos que o nosso país, apesar da queda do preço do petróleo, ainda beneficia do facto que a sua produção futura continua a constituir uma garantia sólida para acedermos às linhas de crédito internacionais para importação de bens e produtos estratégicos e para relançamento da atividade económica em todo o país", enfatizou José Pedro de Morais Júnior.

As reservas de petróleo em Angola estão avaliadas entre 3,5 mil milhões de barris (categoria de provada) e 10,8 mil milhões de barris (categoria de provável), ainda de acordo com a Sonangol.
As Reservas Internacionais Líquidas (RIL) angolanas renovaram mínimos do ano em julho, descendo para 24.170 milhões de dólares (21,7 mil milhões de euros), e já se reduziram 12% desde 2014, tendo em conta dados do BNA.
Na revisão do Orçamento Geral do Estado (OGE) para 2015, aprovado em março e que surge face à forte quebra nas receitas com a exportação de petróleo, o executivo angolano já previa uma descida de 28,4% nessas reservas, fixando-se num volume que garanta as necessidades de cinco meses de importações.
"Na eventualidade de a situação de crise perdurar durante todo o ano, a perda de RIL poderá elevar-se a -8.005,39 milhões de dólares [7,2 mil milhões de euros], posicionado o 'stock' de RIL em 19.277,18 milhões de dólares [17,3 mil milhões de euros]", lê-se no documento que sustenta o novo OGE de 2015.
As reservas contabilizadas pelo BNA são constituídas com base em disponibilidades e aplicações sobre não residentes, bem como obrigações de curto prazo e as reservas angolanas de ouro. “” – FONTE : NOTÍCIAS  AO MINUTO

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Banco BAI Europa diz que inflação em Angola vai derrapar além dos 9%



“”(…)  A situação é explicada com as consequências da crise da quebra da cotação internacional do barril de crude, que fez reduzir a receita fiscal angolana para metade e a entrada de divisas no país, agravando o custo das importações e o acesso a produtos, inclusive alimentares.
"É agora expectável, com o maior deslizamento cambial, uma aceleração dos preços, afigurando-se razoável admitir, desde já, a impossibilidade de cumprir o objetivo anual da inflação que, segundo a proposta de Revisão do OGE [Orçamento Geral do Estado], não deveria exceder 9%, em média anual", escrevem os analistas do BAI Europa neste boletim trimestral.
A posição é justificada também com base no ‘mix' de políticas - orçamentais, cambiais, monetária e outras -, preparado pelo Governo para lidar com as dificuldades, nomeadamente de acesso a divisas. Dizem os especialistas daquele banco - cujo grupo é um dos maiores em Angola - que "uma das consequências prováveis" destas medidas "deverá fazer-se sentir ao nível dos preços no consumidor, devido ao peso dos produtos importados nas despesas de consumo das famílias".

O boletim do BAI Europa recorda que o Índice de Preços no Consumidor (IPC) aumentou 1,2% só em maio, apresentando assim o valor mensal "mais elevado desde dezembro de 2011". Só nos primeiros cinco meses do ano a inflação acumulada em Angola era já de 4,24%, para um objetivo estimado pelo Governo, na revisão do OGE de 2015 devido à crise do petróleo, entre 7 a 9%.
"Cumpre reconhecer, todavia, que no contexto da política de ajustamento em curso, seria pouco realista procurar manter o objetivo da inflação, face à necessidade imperiosa de normalizar a situação do mercado cambial e de preservar a solvabilidade externa. Havendo que fazer escolhas, na conjuntura difícil decorrente do choque externo, torna-se claro que o objetivo da solvabilidade externa teria de prevalecer sobre os demais", observa o boletim.

Os analistas do BAI Europa abordam ainda as várias medidas decididas pelo Governo e pelo Banco Nacional de Angola para "imprimir maior eficácia ao processo de ajustamento macroeconómico", que alargam as dirigidas à contenção de despesa (corte de um terço de toda a despesa pública na revisão do OGE). Nomeadamente ao nível de reservas obrigatórias de depósitos e na desvalorização sistemática, desde junho, do kwanza angolano.
Um conjunto de medidas no âmbito "das políticas cambial e monetária" que "claramente visam moderar a procura interna, reforçando a componente orçamental", lê-se no documento.
Angola é o segundo maior produtor de petróleo da África subsariana, mas devido à crise atual nos mercados internacionais, o peso do crude nas receitas fiscais angolanas deverá descer este ano para 36,5%, face aos 70% de 2014. “” – FONTE :  NOTÍCIAS  AO MINUTO

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Angola com menos 85% de receitas e défice de mil milhões



“”(…)  O relatório de execução orçamental do Ministério das Finanças indica que as receitas totais angolanas, de capital e correntes, cifraram-se à volta dos 60 mil milhões de kwanzas (440 milhões de euros) em maio. No mesmo mês de 2014 - antes da crise da cotação internacional do barril de crude - essas receitas ultrapassaram os 400 mil milhões de kwanzas (2,9 mil milhões de euros).
"Esta variação negativa foi resultado de uma diminuição nas receitas correntes e nas receitas de capital de 77% e de 97%, respetivamente", lê-se no documento, consultado pela Lusa.
Trata-se de uma forte quebra também quando comparado com o mês de maior arrecadação de receita em 2015, fevereiro, com os cerca de 350 mil milhões de kwanzas (2,5 mil milhões de euros).
O mesmo documento de execução orçamental também reflete um corte de 66% na despesa pública angolana no mês de maio, face a 2014, cifrando-se em 200 mil milhões de kwanzas (1,4 mil milhões de euros).
Ou seja, só no mês de maio, face a estes indicadores do Ministério das Finanças, as contas públicas angolanas apresentaram um défice - diferença entre as receitas e as despesas - de pelo menos 140 mil milhões de kwanzas (1.030 milhões de euros).

O Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, anunciou a 02 de julho um aumento da despesa pública no segundo semestre deste ano, depois dos cortes na revisão do Orçamento Geral do Estado (OGE) devido à crise da cotação internacional do petróleo.
De acordo com José Eduardo dos Santos, as receitas do Estado "aumentaram ligeiramente" até ao final do primeiro semestre, explicando esta melhoria com a subida das receitas dos setores petrolífero e não-petrolífero, mas também com a aprovação de várias linhas de financiamento, levando a Comissão Económica do Conselho de Ministros a um "reajuste" das medidas macroeconómicas.
"Apontou [a comissão] a possibilidade de um ligeiro aumento da despesa pública no segundo semestre, podendo-se assim apoiar mais as áreas da Saúde, Educação e outros setores sociais, e canalizar mais recursos cambiais para a economia", disse José Eduardo dos Santos.

O peso da exportaçã do petróleo nas receitas fiscais angolanas cifrou-se em 2014 em cerca de 70%, mas deverá cair este ano para 36,5%, o que levou o Governo a rever o OGE em março último, cortando um terço em todas as despesas públicas.
Nessa revisão, a cotação estimada no barril de crude - necessária para prever o encaixe financeiro e as despesas possíveis -, foi reduzida de 80 para 40 dólares. Contudo, há várias semanas que o barril de crude permanece acima dos 60 dólares no mercado internacional. “” – FONTE :  NOTÍCIAS AO  MINUTO

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Angola prevê manter contas públicas apertadas em 2016



“”(…)  A informação, que cita a Diretora Nacional do Orçamento do Estado, Aia-Eza da Silva, acrescenta que o OGE de 2016 já está em preparação, em conjunto com os gestores públicos, e que não se perspetiva "um maior nível de receitas", num contexto em que as que são oriundas do petróleo "continuam num patamar incerto".
"Ninguém consegue hoje saber qual será o preço do barril do petróleo no primeiro trimestre de 2016, por isso temos de avançar com medidas de precaução e não podemos prometer aos gestores [públicos] orçamentos que provavelmente não vamos conseguir executar", refere Aia-Eza da Silva, na mesma informação.
Em causa está a crise da cotação internacional do petróleo, atualmente abaixo dos 65 dólares por barril, quando há um ano estava acima dos 100 dólares. A situação obrigou à revisão do OGE para este ano, tendo em conta a redução do peso das receitas petrolíferas de 70 por cento, em 2014, para uma estimativa de 36,5% este ano.

O Governo decidiu cortar um terço das despesas totais iniciais, passando o orçamento a prever uma taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 6,6%, com toda a riqueza produzida no país a cifrar-se (estimativa) em 11,5 biliões de kwanzas (95 mil milhões de euros).
O limite da receita e da despesa do OGE desceu de 7,251 biliões de kwanzas (59 mil milhões de euros) para 5,454 biliões de kwanzas (44,8 mil milhões de euros), na versão revista.
Ainda devido à crise da cotação do petróleo, o Governo angolano prevê um défice de 7% do PIB em 2015, com o buraco nas contas públicas avaliado em 806,5 mil milhões de kwanzas (6,6 mil milhões de euros).

A Lusa noticiou a 29 de maio que o Governo angolano está a estudar a possibilidade de introduzir um modelo de orçamento plurianual em Angola, segundo proposta já discutida no mês passado em reunião das comissões especializadas do Conselho de Ministros.
Angola conta atualmente com o modelo de OGE anual, elaborado e proposto pelo Governo para aprovação pela Assembleia Nacional.“” – FONTE :  NOTÍCIAS AO  MINUTO

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Angola quer angariar mais de 9 mil milhões de euros para financiar infra-estruturas



(…)  Angola quer angariar 10 mil milhões de dólares (9,3 mil milhões de euros) para investir em infra-estruturas. A aposta nestes projectos é, assim, para continuar, apesar de as contas públicas angolanas terem sido severamente afectadas pela quebra do preço do petróleo.
Luanda está actualmente a procurar financiamento junto de credores estrangeiros para avançar com projectos de infra-estruturas que considera serem essenciais, incluindo seis mil milhões de dólares para uma refinaria, conforme revelou o ministro angolano da Economia ao Financial Times.
"Existem projectos que foram adiados e existem projectos que ainda não começaram e há projectos em andamento que vão ser atrasados. Mas grande parte dos projectos são financiados por linhas de crédito estrangeiras, portanto não vão sentir qualquer impacto", disse Abrãao Gurgel na entrevista ao jornal britânico publicada esta quarta-feira, 22 de Abril.

Com uma queda superior a 40% do preço do petróleo nos mercados internacionais no espaço de um ano, o Governo liderado por José Eduardo dos Santos procedeu a um corte de um terço do total da despesa pública para o orçamento deste ano, de 62 mil milhões de euros para 46 mil milhões.
Devido à quebra das receitas petrolíferas em cerca de 60% este ano, Luanda também reviu em baixa o crescimento do PIB para o conjunto de 2015, de 9,7% para 6,6%, valor que contrasta com a previsão mais conservadora de 4,5% pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

O petróleo assume um papel fundamental na economia angolana. Angola é o segundo maior produtor africano e em 2013 o "ouro negro" garantiu 76% das receitas orçamentais e 98% das exportações totais.
Para angariar dinheiro, Angola pretende emitir entre 1.000 milhões a 1.500 milhões de dólares em Eurobonds. Depois, o Banco Mundial está a preparar um empréstimo de 500 milhões de dólares, o primeiro deste género ao país lusófono.

Ao mesmo tempo, o ministro revelou que as linhas de crédito bilaterais do Brasil, China e Espanha podem vir a ser prolongadas. Por último, o Governo angolano também abordou a Goldman Sachs, assim como outra empresa de investimentos, para obter empréstimos.
Na entrevista, o ministro angolano apontou que a queda do preço do petróleo vai servir de incentivo para Angola diversificar a sua economia, como na área da agricultura, minas, pescas e produção industrial. "Agora temos de acelerar a velocidade da implementação da diversificação, não há forma de recuar", disse Abrãao Gurgel ao Financial Times.”” – FONTE : JORNAL DENEGÓCIOS