“”(…) Conforme decisão tomada em
assembleia-geral (AG) extraordinária, realizada quarta-feira em Luanda, além da
mudança da estrutura acionista e do aumento de capital, para corrigir o volume
de crédito malparado, aquele banco, até agora controlado pelo BES português,
passa a denominar-se de Banco Económico SA, o que resulta na mesma sigla
(BESA).
A mudança já foi autorizada pelo Banco Nacional de Angola (BNA), que também
confirmou que, face às medidas decididas pelos acionistas, deliberou "o
fim da intervenção direta naquela instituição". Por esse motivo, cessam
funções, a partir de hoje, os dois administradores provisórios designados para
o BESA a 04 de agosto.
A gestão do agora Banco Económico SA pode ser novamente assumida pelos
acionistas, conforme diz o próprio banco central, acrescentando que manterá, a
partir de agora, o "acompanhamento da implementação plena das medidas
extraordinárias de saneamento", bem como de um "novo plano
estratégico" para a instituição.
De acordo com informações divulgadas nas últimas horas em Luanda, a banco
passa a ser liderado por Angola, com a entrada da petrolífera pública Sonangol,
com uma posição de 35 por cento do capital social, somando-se quase 20% da
sociedade Geni, que se mantém como acionista. O Novo Banco português assume uma
participação de 9,9% e os chineses da Lektron Capital de 35%, segundo as mesmas
informações, ainda não confirmadas pelo banco comercial ou pelo BNA.
Na prática, estas mudanças ainda não são visíveis nos balcões do BESA em
Luanda, que continuavam hoje a operar com a designação de "Banco Espírito
Santo Angola", conforme a Lusa constatou na capital angolana.
A estrutura acionista do ex-BESA era composta ainda pelo BES português, com
55,71%, e pela Portmill, com 24%, participações que foram diluídas, face ao
aumento de capital agora concretizado.
Contudo, o BES já considerou que as decisões tomadas na quarta-feira são
"inválidas e ineficazes", alegando que a sua representante foi
impedida de participar na reunião, sob o pretexto de se ter atrasado, afirmando
que irá "agir em conformidade".
O BNA ordenou, a 20 de outubro, seis medidas a aplicar em sete dias úteis
visando a continuidade do BESA, depois de analisar a evolução da situação
financeira daquele banco, decorrente das medidas de saneamento - agora
concluídas - adotadas face ao volume de crédito malparado.
Uma dessas medidas envolveu o aumento de capital, de 65.000 milhões de
kwanzas (494 milhões de euros, à taxa cambial de 04 de agosto, quando o BESA
foi intervencionado), através de acionistas ou entidades aceites pelo banco
central, para "assegurar o cumprimento dos rácios prudenciais
mínimos", explicou na altura o BNA.
Já o Banco de Portugal tinha confirmado em agosto que o crédito de 3,3 mil
milhões de euros que o BES tinha concedido ao BESA passou para o Novo Banco,
estando totalmente provisionado.
O Novo Banco fica com uma participação de 9,9% no capital social do ex-BESA,
por conversão de 53,2 milhões de euros desse empréstimo, titulado, àquela
instituição.
Esta percentagem corresponde à conversão de 7.000 milhões de kwanzas do
empréstimo, também à data de 04 de agosto.
O novo banco angolano arranca ainda com um aumento do capital "por
conversão de parte do empréstimo interbancário sénior" - titulado pelo
Novo Banco -, em 360.768 milhões de kwanzas (2,74 mil milhões de euros, à data
de 04 de agosto), "seguido de uma redução dos capitais próprios dos acionistas
por absorção da totalidade dos prejuízos acumulados", com o crédito
malparado.”” – FONTE :
NOTÍCIAS AO MINUTO.