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quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Soares aponta caso político ao visitar Sócrates na prisão de Évora

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“”(…)  O antigo Presidente da República esteve com José Sócrates durante cerca de uma hora. Ao deixar o Estabelecimento Prisional de Évora, voltaria a falar aos jornalistas. Em tom exaltado.

"Vim pela simpatia e a amizade profunda que temos um pelo outro", vincou Soares. "Fiquei emocionado por estar aqui e ele (Sócrates) ficou emocionado por me ver", acrescentou.Crítico da forma como os média têm acompanhado o caso, o antigo Chefe de Estado propugnou que José Sócrates "é um homem digno e não pode ser tratado desta maneira". "Afinal o que é que ele fez?", perguntou.
Soares diria ainda que encontrou Sócrates "muito bem".

"Gostei imenso de estar com ele. Está com uma moral fantástica e acho que está com uma dignidade de sempre. É uma grande figura. Falámos de tudo. Somos grandes amigos", sublinhou.

"Têm feito uma campanha contra ele que é uma infâmia. É a comunicação social que faz, mas são os tipos que estão por trás dela", reprovaria Mário Soares. “” – FONTE : RTP

Camponeses revoltados contra desalojamentos em Benguela



“”(…)  Na localidade de Losseta, em  Benguela, mais de 100 famílias camponesas serão forçadas a abandonar os seus campos de cultivo, consumado que está o projecto para a construção de um porto seco, um condomínio e zonas turísticas.
Há pouco mais de três meses, os camponeses, preocupados com o futuro, chegaram o travar o avanço das máquinas ao serviço do Governo, dando lugar a conflitos de terra, com tiroteio e detenções à mistura. Depois da última vista do governador Isaac dos Anjos, ocorrida no início deste mês, soube-se que a iniciativa é irreversível.
Impulsionado pelo ramal do Caminho-de-ferro, capaz de proporcionar excelentes oportunidades de negócios, o Governo tenciona juntar ao porto seco um pólo industrial. Esta medida, implica a transferência das 143 famílias camponesas instaladas no local há mais de 20 anos.
As últimas informações indicam que os trabalhos preliminares são uma realidade lançada sobre a dor dos populares.

De acordo com fontes que acompanham o cenário, o equipamento utilizado na abertura de acessos está a destruir vários bens alimentares, sobretudo o milho, um cereal que não abunda.
Estas máquinas contam com a protecção de polícias e de efectivos das Forças Armadas.
O consultor social Misselo da Costa criticou o facto de não ter havido diálogo entre o Governo e os populares da região.
Funcionário da Organização Humanitária Internacional, Misselo apoia-se em imperativos legais para sustentar a tese de que os camponeses devem ser realojados em áreas onde possam dar sequência à agricultura familiar.

Situações como estas levaram o Bloco Democrático a traçar um quadro sombrio em relação à situação social na província de Benguela.
Zeferino Kuvinda, secretário provincial daquele partido, afirmou que se assiste hoje na província ao “açambarcamento” de terras  por pequenos grupos que se auto-denominam de “classe empresarial” e que actuam “ sem o mínimo de consideração nem respeito pela pessoa humana”.
“Vêm em nome do Estado e protegidos pela lei da terra do Estado, sabotam as lavras das populações”, disse Kuvinda.
O director da Agricultura, Eng. Fernando de Assis, disse que não tecia qualquer consideração sem que antes se inteirasse da situação. “” – FONTE : VOA

General angolano Bento "Kangamba" diz confiar na Justiça portuguesa



“”(…)"Eu confio pela Justiça portuguesa porque não sou criminoso. Só quem tem de ter medo da polícia portuguesa e da Justiça portuguesa é o criminoso", afirma Bento dos Santos "Kangamba", apresentando-se como um empresário em Angola e com casas, para a família, em Portugal.
Assegura que nunca foi notificado por Portugal da prática de qualquer crime, citando por várias vezes alegadas acusações de fraude fiscal e branqueamento de capitais, ou que tenha sido constituído arguido.
"Agora espero eu que a polícia e a Justiça portuguesa provem os crimes, aquilo que falaram de mim. Não tenho qualquer problema com Portugal, não tenho medo de nenhum juiz ou de procurador. Quando se diz que o fulano é `y` tem que provar", aponta, numa entrevista feita sem qualquer restrição sobre os temas a abordar.

Questionado pela Lusa sobre algum receio em voltar a Portugal, perante a investigação em curso, "Kangamba" desvalorizou: "Não tenho receio porque eu não tenho [cometi] crime. E se for notificado para ir ao juiz posso ir normalmente, sem problema nenhum. Só se tivesse crime é que teria medo".
Em causa estão buscas realizadas a 15 de outubro às propriedades de Bento dos Santos "Kangamba" em Portugal, no âmbito de investigações do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) por suspeitas de branqueamento de capitais, alegadamente relacionadas com a atividade do militar angolano em território português.
Na mesma entrevista à Lusa, em Luanda, a primeira vez em que se diz referir a estas suspeitas para tentar "acabar com a especulação e as calúnias", o general de três estrelas nega que tenham sido apreendidos, nas duas casas que confirma possuir "há mais de três anos", oito milhões de euros em dinheiro, como foi noticiado.
"É mentira. Nunca tive esse dinheiro em casa, mas podia ter", diz, reconhecendo que não é "pobre".

De acordo com o próprio Bento "Kangamba", nestas duas casas, ambas seladas pelas autoridades e às quais espera reaver o acesso já na próxima semana, foram encontrados 1,7 milhões de euros e 900 mil euros. Dinheiro que, diz, servia para "pagar aos trabalhadores e colaboradores mais próximos" em Portugal.
Sobre este dinheiro, admite que possa ter cometido uma irregularidade ao não o declarar à entrada no país, o que garante ter acontecido há vários anos, mas assegura que é proveniente dos seus rendimentos e não de atividades ilícitas.
"Não sabia a lei de Portugal, mas isso não é crime. Pagam-se os impostos", assegura.
O mesmo diz sobre as casas e outros bens em Portugal, cuja origem estará a ser investigada pelas autoridades nacionais.
"O dinheiro com que se comprou casa em Portugal é limpo, é normal. Não tem prolema nenhum. O dinheiro é meu, não é roubado, é a minha herança. Não é crime ter o dinheiro em casa", assegura.
Embora insatisfeito com as acusações de que diz estar a ser alvo de Portugal, rejeita colocar a responsabilidade em "todos os portugueses" ou reagir da mesma forma.
Ainda assim, afirma: "Temos de saber de onde está a sair este fogo".

Nesta entrevista à Lusa, o general angolano chega mesmo a comparar o seu caso à detenção do ex-primeiro-ministro José Sócrates, pela "condenação" que diz já ter acontecido na "praça pública", nos dois casos.
"A Justiça que trabalhe, que investigue. Quando o engenheiro Sócrates for julgado e condenado as pessoas que falem (...) Eu estou a ser condenado pelos portugueses, que nem me conhecem. Quando eu nunca fiz mal aos portugueses", afirma, insatisfeito com as notícias publicadas em Portugal.
"Não fiz nenhum negócio para branquear dinheiro em Portugal, em primeiro lugar. Em segundo lugar, tudo o que lá está é limpo e honesto. As casas foram compradas e paguei imposto. Pago água e luz, não tenho nada atrasado. Não tenho como esconder", remata.
“” – FONTE . RTP / Lusa

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Angolanos chocados com a tortura de uma jovem manifestante



“”(…)  As agressões contra Laurinda Gouveia são atribuídas aos agentes da polícia e dos serviços secretos por ela ter participado na manifestação convocada no último sábado (22.11) pelo Movimento Revolucionário, que visava exigir justiça contra os autores da morte de um militante da CASA-CE, Manuel Hilberto Ganga (23.11.2013), assim como pedir a demissão do Presidente José Eduardo dos Santos no poder há 35 anos.

A sociedade civil e ativistas de organizações não governamentais angolanas de defesa dos Direitos Humanos e das Mulheres revelam-se profundamente chocadas com as torturas inflingidas à jovem Laurinda Gouveia, a única menina do Movimento Revolucionário que participou da manifestação de sábado.

Corpo de Laurinda Gouveia cheio de hematomas

Imagens postas a circular nas redes sociais e na blogoesfera, como por exemplo no Makaangola, mostram hematomas por quase todo corpo de Laurinda que teria sido brutalmente espancada por um comandante da Polícia Nacional do Distrito Urbano da Ingombota (Esquadra da Ilha de Luanda), que usou barras de ferro contra a jovem deixando-a numa cadeira de rodas.

Com 26 anos de idade, Laurinda Gouveia conta que foi detida por agente dos serviços secretos quando se preparava para filmar os seus colegas do Movimento Revolucionário que, na ocasião, tinham decidido tomar de assalto o largo da Independência que se encontrava sob forte controlo das forças policiais angolanas.

"Da próxima vez poderá ser morta"
Encontrando-se neste momento hospitalizada, Laurinda destacou ainda que os agentes da polícia chegaram mesmo a dizer que da próxima vez que for vista numa manifestação anti-governamental poderá ser morta.
"Disseram-me que da próxima vez vão-me matar porque se a surra que me deram não for suficiente da próxima será para valer. O comandante da polícia da Ilha estava lá porque consegui reconhecê-lo", disse Laurinda.

Entretanto, indignada com o caso a jornalista e advogada, Amor de Fátima, pede que sejam responsabilizados os autores da barbaridade cometida contra a ativista Laurinda Gouveia, sob pena de se pôr em causa a construção de uma sociedade que se quer democrática e respeitadora dos direitos humanos.
"Estas imagnes são um resultado chocante dentro daquilo que deve ser a construção do que queremos. Um Estado de direito democrático. Seja quem for que tenha cometido esta barbaridade, temos uma lei e ela é para todos. Com certeza que quem cometeu este ato deve ser responsabilizado porque se trata de um ato bárbaro", conclui.

Comunidade internacional vai reagir?

Quem também se mostrou extremamente chocada com o espancamento de que foi vítima a jovem do Movimento Revolucionário é a jornalista e diretora do jornal Terra Angolana, Ana Margoso, que espera uma reação firme da comunidade internacional e da sociedade angolana contra os atos de tortura que diz terem o patrocínio do regime do Presidente José Eduardo dos Santos.
"A situação dos direitos humanos em Angola não está a melhorar e não vai muito bem de saúde como os nossos dirigentes têm a mania de dizer. Dos governantes não espero nada porque são eles que dão as ordens para a polícia ter este tipo de comportamento, aliás como tem sido a prática todos esses anos. Portanto repito que dessa gente não espero nada. Mas espero que a comunidade internacional e a sociedade civil angolana reajam perante tanta atrocidade contra jovens indefesos", diz.

A DW África contatou, sem sucesso, o Comandante geral da Polícia Nacional de Angola Ambrósio de Lemos, que não atendeu aos nossos telefonemas.”” – FONTE : DW África

Orçamento angolano é "para inglês ver" - Isaías Samakuva



“”(…)  O  presidente da Unita Isaías Samakuva considerou,  em Luanda, que o Orçamento Geral do Estado(OGE) para 2015 é “uma fachada para inglês vir” e considerou que o Governo não tem mais nada para oferecer aos angolanos.
O líder do maior partido na oposição considerou a actual proposta do executivo para o OGE de 2015 como uma mera operação de charme.
"O OGE de 2015 é uma fachada, pois há verbas sem qualquer indicação do que vão fazer, e verbas enormes, estão a fazer o que aí?”, disse Samakuva.
“Vemos gastos durante o ano que nunca estiveram previstos no OGE, por isso este OGE é para inglês ver, é uma fachada", acrescentou Samakuva, para quem o Executivo de José Eduardo dos Santos nada tem mais para oferecer aos angolanos.

"O actual governo chegou ao seu fim porque já não consegue reunir condições políticas de governabilidade e de legitimidade, para se manter em plenitude de funções", disse, advertingo que continuará a falar sem receios onde quer que seja.
Recentemente o embaixador angolano em Lisboa afirmou que Samakuva tinha sido “infeliz” ao afirmar em Lisboa que Angola precisa de uma segunda independência."Temos de falar, não podemos nos calar perante essa realidade aqui, na Conchichina ou no Timbaktu”, disse Samakuva.
Quanto às autarquias, Samakuva garantiu que os deputados da Unita vão continuar a pressionar para que se materialize antes de 2017.”” – FONTE : VOA